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LESÕES DA COLUNA
VERTEBRAL NOS ESPORTES.
Lesões da coluna
vertebral de causas diversas são observadas em indivíduos que praticam
esportes de várias modalidades.
A coluna vertebral por meio de suas
estruturas está envolvida no mecanismo de transmissão e coordenação dos
movimentos entre os membros superiores e inferiores. Essas estruturas
incluem ossos, articulações, músculos, ligamentos e os discos
intervertebrais que, agem continuamente no sentido de potencializar a força
a ser desprendida pelos membros, quando do posicionamento espacial do
indivíduo e no suporte de seu corpo sob a ação da força da gravidade. Cada
região da coluna vertebral tem características próprias, as quais são responsáveis
por funções específicas.
A coluna cervical é responsável pela
sustentação da cabeça, permitindo amplo arco de movimento devido a sua
estrutura. As lesões nesta região estão relacionadas à sua fragilidade
principalmente durante sua exposição aos traumas.
LESÕES DA COLUNA
TORÁCICA
A coluna torácica é um
segmento do esqueleto axial adaptado para promover a estabilização e
sustentação do tronco e sustentação da região cervical. Esta região tem como
característica a presença de uma cifose fisiológica, e um grau restrito de
movimento, promovido pelas costelas, as quais aumentam a estabilidade
torácica. Nessa região os discos intervertebrais são menores e menos
flexíveis em relação aos demais segmentos vertebrais.
Lesões da coluna torácica são raras nos
atletas. Na maioria das vezes elas ocorrem nos esportes com alta velocidade
e impacto. Entre as lesões mais freqüentes temos as dos tecidos moles,
hérnia de disco e as fraturas vertebrais.
LESÕES DE TECIDOS
MOLES
A principal lesão
observada na coluna torácica de atletas está relacionada ao acometimento de
tecidos moles, como: distensões, contraturas e contusões de trauma direto.
O diagnóstico destas lesões é realizado
por meio de anamnese completa, interrogando a
respeito do protocolo de treinamento do atleta, aumento na prática de
determinado exercício com sobrecarga da região e possíveis traumatismos. O
exame físico é focado na região da dor, procurando com a inspeção e palpação
localizar e delimitar a área afetada. Caso a região dolorosa for extensa e
mal delimitada, parece indicar distensão ou contratura muscular; no entanto
caso haja um ponto doloroso bem delimitado deve-se suspeitar de contusão
local ou fratura. Radiografias simples são realizadas para identificação de
possíveis fraturas, nas lesões traumáticas. Na ausência de trauma deve ser
imediatamente instituído tratamento conservador. O objetivo principal deste
é o retorno às atividades o mais breve possível, mantendo condicionamento
cardíaco e pulmonar adequado durante o período que permanecer afastado dos
esportes, e reabilitação precoce, inicialmente com exercícios isométricos, e
alongamentos progressivos.
O uso de órteses
(coletes) não tem influência em sua recuperação. Medidas no sentido de atuar
sobre o fator desencadeante podem evitar recidivas.
HÉRNIA DISCAL TORÁCICA
Apresenta incidência em
torno de 1,6 / 1000 na população em geral, com freqüência maior em homens e
na quinta década de vida. Raramente é associada à atividade esportiva. A
história relatada pelo atleta varia de acordo com a sua localização,
extensão e início dos sintomas. Em geral a história de trauma é pouco
freqüente, os discos mais acometidos são o nono, décimo e décimo primeiro.
O sintoma mais comum é dor na parede
torácica, unilateral, no dermátomo correspondente à
raiz afetada, especialmente quando a compressão for lateral. Quando a
compressão for devido a uma hérnia central, com compressão medular, pode não
ocorrer dor torácica, porém ao exame físico e neurológico observa-se espasticidade, paraparesia e
sinais de liberação do sistema piramidal nos membros inferiores. A pesquisa
dos reflexos dos membros inferiores, do reflexo cutâneo abdominal, de clônus e do reflexo de Babinski
pode permitir o diagnóstico de uma hérnia de disco torácica.
A ressonância magnética é o método de
eleição para o seu diagnóstico.
Na sua impossibilidade, a tomografia
computadorizada ou mielografia. O tratamento
clínico geralmente é eficaz, por meio de antiinflamatórios, analgésicos e
medidas fisioterápicas. Bloqueio radicular seletivo pode ser indicado nas
dores intercostais intratáveis.
O tratamento cirúrgico é pouco realizado
e indicado nas compressões medulares centrais sintomáticas com lesão
neurológica progressiva. Com o advento da cirurgia vídeo-endoscópica,
a morbidade do tratamento cirúrgico diminuiu, possibilitando reabilitação
precoce e eliminando a necessidade de incisão ampla, com na toracotomia
convencional, porém em alguns casos é indicada.
FRATURAS DA COLUNA
TORÁCICA
Existem quatro tipos de
fraturas são observadas nas atividades esportivas: do processo transverso ou
da costela (nas proximidades da articulação transverso
costal); do corpo vertebral por extensão forçada;
do corpo vertebral por compressão e as fraturas com luxação.
As fraturas do processo transverso são
estáveis e relacionadas ao trauma direto da região paravertebral,
na região correspondente a articulação costal
transversa. O principal sintoma é dor local, que se acentua durante os
movimentos respiratórios. Ao exame físico observa-se equimose e intensa dor
à palpação. O paciente pode apresentar aumento da cifose ou escoliose antálgica. O diagnóstico pode ser confirmado
radiograficamente e quando necessária tomografia computadorizada e cintilografia óssea.
O tratamento é clínico com analgésicos e
reabilitação precoce. A utilização de órteses para
imobilização é controvertida, visto que a fratura é estável e alguns
pacientes relatam desconforto devido a mesma. O
retorno às atividades esportivas deverá ser gradual e dependerá do limiar de
dor do atleta.
As fraturas do corpo vertebral por
extensão forçada (hiperextensão) são desencadeadas
por movimentos bruscos, os quais tracionam as
estruturas anteriores da coluna, principalmente o ligamento longitudinal
anterior e o periósteo podendo promover avulsão
óssea e lesão da placa terminal. Este tipo de fratura incide em atletas
durante a adolescência, enquanto não ocorre a maturidade do esqueleto axial,
com persistência de tecido cartilaginoso nos planaltos vertebrais. Entre as
modalidades esportivas, a ginástica olímpica impõe aos atletas movimentos
abruptos, podendo desencadear estas lesões.
O diagnóstico é realizado com a anamnese e exame físico, que reproduz a dor ao se
realizar uma extensão forçada da coluna. A visibilização
da fratura é difícil com radiografias simples. A tomografia computadorizada
e a ressonância magnética facilitam o seu diagnóstico.
O tratamento envolve medidas analgésicas
e utilização de órteses tóraco-lombares
(colete de Boston) por um período entre 8 a 12 semanas.
As fraturas por compressão do corpo
vertebral são as mais freqüentes nessa região, devido à falha da região
anterior do corpo vertebral quando um movimento de flexão é aplicado na
coluna. A maioria das fraturas por compressão nos atletas não causa
descontinuidade do muro posterior do corpo vertebral, portanto não oferecem
riscos de compressão medular por desprendimento de fragmentos ósseos dentro
do canal vertebral.
Nos atletas jovens a presença de acunhamento vertebral pode ocorrer na ausência de
trauma, sendo devido a uma osteocondrite da placa
terminal (doença de Scheurmann). Nos atletas
idosos as fraturas por compressão podem ocorrer após traumas triviais,
devido à osteoporose.
Ao exame físico, acentuação antálgica da cifose dorsal, com espasmo muscular paravertebral, dor à palpação e limitação do arco de
movimento. O exame neurológico deve ser minucioso no sentido de identificar
alterações neurológicas consequentes a traumas raquimedulares.
O diagnóstico é confirmado por meio de
radiografias simples com incidências ântero-posterior
e de perfil, que permitem visibilizar alterações
na altura do corpo vertebral. A tomografia computadorizada permite
evidenciar o traço de fratura, além de avaliar a integridade do canal
vertebral. O diagnóstico de doença de Scheurmann
(dorso curvo com hipercifose) deve ser afastado em
atletas jovens.
As fraturas com acunhamento
vertebrais anterior de até 25%, geralmente não acometem as estruturas
vertebrais posteriores, mantendo a estabilidade da coluna. As fraturas com
até 50 % de acunhamento vertebral podem se
associar às lesões ligamentares posteriores e
comprometimento do canal vertebral.
As fraturas com acunhamento
vertebral, superior a 50 % estão associadas a traumas com maior energia,
sendo geralmente instáveis e com grande possibilidade de apresentarem lesões
do canal vertebral. O tratamento destas fraturas deve ser individualizado de
acordo com a idade, a gravidade da fratura e a modalidade esportiva
praticada pelo atleta. O objetivo do tratamento é proporcionar analgesia, evitar deformidades crônicas residuais,
prevenir lesões neurológicas e reabilitar o atleta para que retorne com a
menor brevidade para suas atividades.
Nas fraturas com acunhamento
vertebral anterior de até 50%, sem sinais de instabilidade, o tratamento é
realizado com órteses (colete de Boston) de
polipropileno, feitas sob medida, abrangendo toda a coluna tóraco-lombar com apoio pélvico. O período de
imobilização varia entre 8 à 12 semanas, mantendo
durante este período o condicionamento físico e cardio-pulmonar.
O retorno ao esporte pode ser iniciado assim que o atleta não sentir dor. As
fraturas com mais de 50% de acunhamentos
vertebrais anterior e sinais de instabilidade devem ser tratadas cirurgicamente.
As fraturas com luxações da vértebra
estão relacionadas à traumas de alta energia. Os esportes mais propensos a
este tipo de lesão são automobilismo, motociclismo,
esportes de inverno e paraquedismo. Este tipo de
fratura está relacionado à lesão neurológica em 85% a 100% dos casos. Nessa
situação os pacientes são politraumatizados com
múltiplas lesões graves, necessitando equipe médica de várias
especialidades.
O diagnóstico desta lesão inclui, desde
radiografias simples até a ressonância magnética, devido ao alto índice de
lesão neurológica. A abordagem terapêutica é multidisciplinar (enfermeiros,
fisioterapeutas e psicólogos), pois as seqüelas físicas e sociais podem ser
graves. O tratamento cirúrgico é indicado para a restituição da anatomia da
região, sendo realizado assim que o paciente apresente condições clínicas.O tratamento cirúrgico precoce permite antecipar
o início da reabilitação, prevenindo complicações pulmonares e
dermatológicas, como as escaras.
LESÔES DA COLUNA
LOMBAR
A coluna lombar é
vulnerável à lesões nas diversas práticas
esportivas. A dor na região lombosacra pode ter
origem em várias estruturas, sendo que o espasmo e a contratura da
musculatura paravertebral as causas mais
freqüentes. Porém as articulações inter-apofisárias
posteriores, as articulações sacro-ilíacas, os discos intervertebrais e a
própria estrutura óssea são importantes na etiologia das síndromes dolorosas
desta região.
As lesões mais frequentes
são: as musculares e ligamentares; fraturas;
afecções dos discos intervertebrais; a espondilólise
e espondilolistese . Porém distúrbios da transição
lombosacra e articulações sacro-ilíacas, que serão
abordados no final desse capítulo, também desencadeiam dor lombar.
LESÕES MUSCULARES E
LIGAMENTARES
As dores lombares são
freqüentes, com maior incidência em profissionais que trabalham em
atividades industriais do que em atletas. Portanto,
as lesões musculares e ligamentares nos atletas
podem ser semelhantes a aquelas de indivíduos que não praticam esportes.
O diagnóstico das lesões dos músculos e
ligamentos inicia-se através da anamnese, onde se
realiza argüição das características do mecanismo do trauma que causou a
lesão, permitindo um raciocínio clínico, que será complementado pelo exame
físico.
Durante o exame físico deve-se localizar
o local da dor através da inspeção e da palpação. Nos atletas que sofrem
quedas, que desencadeiam flexão brusca da região lombar (ginástica
olímpica), faz se necessário à palpação dos ligamentos posteriores (figura
1), a fim de ser detectado sua lesão parcial ou total.
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Figura 6 - Ressonância
magnética com imagem sagital mostrando hérnia discal
L4-L5.
O tratamento das
hérnias discais nos
atletas deve ser individualizado, diretamente relacionado ao quadro clínico.
O tratamento inicial é sempre conservador, com utilização de analgésicos,
antiinflamatórios e reabilitação fisioterápica. A indicação de tratamento
cirúrgico somente quando houver falha do tratamento conservador. A avaliação
dos critérios de melhora clínica no atleta é distinta daqueles utilizados na
população em geral, pois melhora acentuada da dor pode ser suficiente para
um indivíduo qualquer, entretanto uma pequena dor, durante uma atividade
física, pode comprometer o desempenho físico do atleta. Não existem, na
atualidade, protocolos no sentido de indicação do momento adequado do
tratamento cirúrgico. A indicação deve ser realizada por consenso entre
médico(s) e o atleta, sendo importante a participação da diretoria técnica
durante todo o período do tratamento.
A técnica cirúrgica a ser utilizada deve
proporcionar a remoção da hérnia discal, com
descompressão da raiz nervosa, preservação das facetas articulares e
reparação da estruturas incisadas. Relatos na literatura indicam até 90% de
excelentes resultados em atletas de elite, submetidos a
microdiscectomia em um único nível, com o retorno
às atividades competitivas.
A reabilitação do atleta deve ser
iniciada o mais breve possível, se ministrando exercícios isométricos e de
hidroterapia. O retorno progressivo as atividades físicas deve ser
estimulado, estando o atleta apto a retornar ao esporte competitivo após um
período aproximado de três meses.
As lesões traumáticas do disco
intervertebral estão relacionadas com queda de sua própria altura,
principalmente ao cair sentado. O diagnóstico desta lesão é difícil, pois o
quadro clínico pode variar desde uma simples dor lombar, até uma lombociatalgia de intensidade variável. A dor tem um
componente relacionado ao espasmo da musculatura paravertebral,
porém a dor discogênica também è fator Importante
na sua gênese devido à lesão do ânulo fibroso, o qual é inervado por fibras
do sistema simpático. A ciatalgia referida no
trauma agudo do disco intervertebral ocorre quando existe compressão
mecânica devido a um fragmento herniado, ou pelo
processo inflamatório existente na vizinhança da raiz nervosa.
A radiografia simples não auxilia no
diagnóstico, sendo necessário a realização da ressonância magnética, que
poderá demonstrar lesão aguda do disco intervertebral (figura 7).
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Figura 8 - Jogador de
futebol de 22 anos de idade, com lombociatalgia à
esquerda com avulsão de fragmento ósseo do
planalto superior da vértebra L5 (tomografia computadorizada e ressonância
magnética).
O tratamento das lesões traumáticas do
disco intervertebral é realizado com analgésios,
antiinflamatórios, reabilitação fisioterápica e afastamento de atividades
físicas até desaparecimento da dor. O tratamento cirúrgico está indicado
caso haja falha do tratamento conservador, conforme descrito no tratamento
das hérnias discais.
ESPONDILÓLISE E
ESPONDILOLISTESE
O aumento do número de jovens atletas nas últimas duas décadas
e a crescente competitividade para a busca contínua do melhor do desempenho
nas diversas modalidades esportivas, têm contribuído
para o aparecimento de dores lombares persistentes nos atletas.
A persistência de dor lombar, na
ausência de sinais clínicos de compressão radicular, pode ser indicativo de
fratura por fadiga do istmo vertebral, o que caracteriza a espondilólise traumática geralmente na quinta vértebra lombar.
O istmo vertebral é a região mais
vulnerável aos microtraumas repetitivos. Estes
ocorrem nas várias atividades físicas de um individuo
em crescimento, tais como judô, ginástica olímpica, lutas, levantamento de
peso, futebol americano e esportes que exigem saltos, os quais apresentam
maior incidência de espondilólise . Os atletas
envolvidos com esportes que exigem movimentos de rotação repetitiva, extensão ou flexão acentuadas, podem apresentar
incidência entre 11% a 63% de lesão. Esta afecção é duas vezes maior no sexo
masculino, sem predileção racial.
Existe predisposição familiar, porém sem
comprovação de fatores genéticos. A história clínica fornece os elementos
para o diagnóstico. O exame físico geralmente não é característico, sendo
que a dor lombar pode ocorrer na região central ou lateral; caso a lesão for
unilateral perceptível à palpação, o atleta poderá apresentar posição antálgica, com modificações posturais.
O diagnóstico é confirmado com
radiografias da região lombosacra de frente,
perfil e oblíquas. Porém na fase inicial da espondilólise
a lesão somente é visível em exames que demonstram alta sensibilidade, como
a cintilografia óssea e a ressonância magnética,
porém a tomografia computadorizada permite a visibilização
nítida da lesão na fase inicial através dos cortes paralelos ao ístmo vertebral (figura 9).
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Figura 9 - Tomografia
computadorizada de lutador de Karatê com espondilólise na vértebra L5.
O tratamento da espondilólise em atletas casuais ("atletas de
fim-de-semana") é mais conservador, enquanto que nos atletas
profissionais, o afastamento da atividade pode causar comprometimento
emocional e impacto financeiro.
Inicialmente é preconizado afastamento
da prática esportiva, com uso contínuo de órtese lombosacra, conforme figura 3, durante 3 meses, mantendo
o seu condicionamento físico com um programa de reabilitação e treino da
capacidade cardio-pulmonar. Após este período
deve-se realizar o controle da espondilólise
através da tomografia computadorizada. O tratamento cirúrgico é raramente
indicado e somente quando ocorrer falha do tratamento clínico, ou nos casos
que evoluíram com espondilolistese progressiva,
sendo nesse caso indicada a artrodese póstero-lateral com fixação do segmento acometido. A espondilolistese é diagnosticada através de radiografias
simples, ficando mais evidente por meio de radiografias dinâmicas em perfil,
em posição de flexão e extensão forçada. A mielografia
dinâmica permite a visibilização da instabilidade,
além de demonstrar compressão do saco dural,
durante a flexão e extensão forçadas.
A espondilolistese
pode ocorrer em atletas com espondilólise
bilateral. O escorregamento vertebral geralmente ocorre entre os 9 e 15 anos de idade. A freqüência de grandes
escorregamentos é duas vezes maior nas mulheres. O tratamento do atleta com espondilolistese depende basicamente do grau de
escorregamento vertebral e de sua sintomatologia. Caso o escorregamento for
menor do que 50%, e o atleta estiver assintomático,
restrições físicas são desnecessárias, porém recomenda-se acompanhamento
radiográfico até os 16 anos de idade. Caso o escorregamento for maior que
50%, o atleta deve ser orientado a não realizar esportes de alto impacto.
Estes atletas devem ser acompanhados, pelo menos a cada seis meses até o
final do crescimento ósseo. A artrodese está
indicada quando ocorre falha do tratamento conservador. Para realizar o
alinhamento anatômico da coluna vertebral, quando o escorregamento é maior
que 50% é indicada a via anterior associada e artrodese por via posterior. O tempo ideal para a
consolidação da artrodese varia de 3 a 6
meses. Após a consolidação atleta está apto a retornar às atividades
físicas. O controle da consolidação é realizado por meio de radiografia
simples e tomografia computadorizada.
OUTRAS LESÕES
As alterações degenerativas das articulações sacro-ilíacas
podem desencadear em atletas dor lombar incapacitante
prejudicando a prática esportiva. Estas lesões sempre foram consideradas
muito raras, porém atualmente estas disfunções são um problema frequente em atletas de elite, no entanto sua incidência
é pouco relatada na literatura médica.
Esta lesão ocorre através de sobrecarga
dos membros inferiores, transmitidas para a região pélvica em esportes de
alto impacto e longa duração como em maratonistas.
O diagnóstico desta lesão é clínico e dificilmente
realizado por radiografias simples. Outros métodos como a cintilografia óssea, tomografia computadorizada (figura
10) e ressonância magnética permitem o seu diagnóstico. O tratamento envolve
reabilitação e orientação dos atletas e da equipe técnica, prevenindo a recidiva.
A presença de megapófise
à radiologia é geralmente assintomática. Porém a fusão unilateral entre o
processo transverso da vértebra L5 e o sacro também pode desencadear dor
lombar. Esta dor ocorre no lado contralateral da
fusão, devido à maior instabilidade e mobilidade unilateral na transição lombosacra.
O tratamento desta lesão é difícil, e a
recidiva da dor freqüente. A artrodese do lado em
que não ocorreu a fusão é uma alternativa cirúrgica, quando houver falha do
tratamento conservador.
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