Perguntas e Respostas

1 – A NATAÇÃO É SEMPRE BENÉFICA PARA DORES DE COLUNA?

Resposta – Não. Normalmente a natação não está entre as atividades físicas recomendadas para aliviar dores de coluna. Ela promove uma rotação das vértebras o que pode agravar lesões de algumas estruturas da coluna como os discos intervertebrais e ligamentos. O risco é maior quando se pratica o nado clássico e borboleta. Existem situações em que ela é indicada, como em casos de deformidades posturais (dorso curvo). Não se deve contra indicar nado livre para pacientes que sentem benefícios e não se queixam de dores com a sua prática regular. No entanto, deve-se alertá-los para não deixar de fazer alongamento antes de entrar na água. Esses exercícios, podem ser úteis na prevenção de dor, principalmente a lombar.

2 – EXERCÍCIOS SÃO PREJUDICIAIS E AUMENTAM AS DORES NAS COSTAS?

Resposta – É um engano pensar assim. Os exercícios só fazem mal quando não forem apropriados e orientados. Uma pessoa com lombalgia jamais deverá praticar atividades que exijam força, como levantar pesos durante a aula de musculação, sem apoiar corretamente a coluna lombar. O risco é deflagrar uma crise grave e até imobilizante. Mas há muitas outras atividades que podem ajudar a aliviar as dores. Os exercícios de alongamento, associados a outros que reforcem a musculatura abdominal, são os mais indicados. Outros tipos servem para corrigir a postura. Quem se senta curvado para frente, por exemplo, é estimulado a alongar os músculos peitorais e reforçar os dorsais para deixar a coluna mais ereta. Exercícios dentro da água (hidroginástica) diminuem a ação da gravidade e a pressão sobre a coluna, o que é uma ação bem-vinda.

3 – QUANDO SE TEM DOR NAS COSTAS, A MELHOR ATITUDE É FICAR NA CAMA, EM REPOUSO?

Resposta – Errado. Hoje em dia os conceitos mudaram. Um doente com crise de hérnia de disco ou torção de coluna, por exemplo, é estimulado a andar após dois ou três dias de repouso. Um curto período na cama pode aliviar a dor, enquanto permanecer em repouso por tempo prolongado favorece o enfraquecimento da musculatura da coluna. Com o tempo, a falta de atividade física prejudica a estabilidade da coluna porque os músculos e outras estruturas perdem a sua tonicidade. É como se o mastro de um veleiro ficasse com as suas cordoalhas frouxas e, por causa disso, começasse a balançar. Manter uma atividade física regular é uma das principais dicas para manutenção da saúde da coluna.

4 – A HÉRNIA DE DISCO LOMBAR É UMA DOENÇA GRAVE? A CIRURGIA FAZ PARTE DO TRATAMENTO?

Resposta – Não. A hérnia de disco é uma situação freqüente que pode existir em indivíduos que inclusive nunca apresentaram sintomas. Na grande maioria dos casos, ela não traz nenhum tipo de complicação. Quando ela provoca uma dor na coluna com irradiação para a perna, conhecida como ciática, em cerca de 95% dos casos a cura se dá apenas com um tratamento clínico bem conduzido. Isso acontece devido a uma tendência natural do organismo em absorver o fragmento do disco intervertebral que causa os sintomas, o que ocorre num período entre quatro e cinco meses. Além disso, o núcleo gelatinoso do disco perde água, o que resulta na redução do seu volume, diminuindo a pressão sobre o nervo. É como uma ameixa fresca que, com o passar do tempo, fica seca e tem seu volume reduzido. Pouquíssimos casos de hérnia na região lombar têm indicação cirúrgica (menos de 5%). Geralmente, ocorre em pacientes que não responderam bem ao tratamento clínico por um período mínimo de seis a oito semanas ou se encontram em quadros emergenciais, como a síndrome de compressão da cauda eqüina (responsável pelo descontrole do esfíncter urinário e ou retal e adormecimento do períneo), ou em situações de dor incontrolável, com repercussões neurológicas.

5 – E A HÉRNIA DE DISCO NA COLUNA CERVICAL? É FREQÜENTE?

Resposta – Sim. Sua ocorrência é comum, sendo encontrada em pessoas que nunca apresentaram sintomas. Infelizmente, ao ser identificada em um exame de imagem, atribui-se a ela a responsabilidade pela dor no pescoço, quando na maioria das vezes a causa é outra, como os estados de ansiedade, o bruxismo e problemas posturais, entre outras situações. Quando é de fato responsável pela dor, seu tratamento é clínico na esmagadora maioria dos casos. Não mais do que 0,5% dos casos, têm indicações cirúrgicas, em situações específicas.

6 – A TRAÇÃO É AINDA É USADA NO TRATAMENTO DA HÉRNIA DE DISCO?

Resposta – Isso faz parte do passado. Os melhores centros para tratamento da hérnia de disco não adotam mais esse método, que se propõe a alongar a coluna com a ajuda de um aparelho. Além disso, sua eficácia nunca foi comprovada cientificamente.

7 – A OSTEOPOROSE PROVOCA DOR NAS COSTAS?

Resposta – Não. Essa doença, caracterizada pelo enfraquecimento da massa óssea, não causa dor, o que de certa forma permite que ela progrida sem que os pacientes percebam. Por isso, as mulheres após a menopausa ou as que apresentam outros fatores de risco em qualquer idade devem ter acompanhamento médico. A mesma orientação é dada para os homens após os 50 anos (a partir dessa faixa etária, uns em cada oito homens podem desenvolver a doença). Os dois grupos devem realizar exames periódicos para prevenção e tratamento (densitometria óssea, entre outros). A osteoporose só vai provocar dores nas costas quando ocorrerem micro-faturas ou fraturas dos corpos vertebrais.

8 – TODOS OS PACIENTES DEVEM FAZER RADIOGRAFIAS DA COLUNA VERTEBRAL?

Resposta – Não. A etapa mais importante no atendimento dos indivíduos com dores nas costas é o levantamento da história do paciente, seus antecedentes e o exame físico geral e específico. A radiografia simples (raios-X) é dispensável como o primeiro recurso de diagnóstico. Mas se depois de trinta dias não houver melhora, ela deve ser solicitada, assim como nas situações em que a história sugerir sua necessidade já na primeira consulta. Esse exame pode ser útil para identificar pinçamento discais, bicos de papagaio, desvios ou lesões ósseas.

9 – O QUE É O BICO DE PAPAGAIO?ELE DÁ DOR NA COLUNA?

Resposta – O bico de papagaio é o nome popular de uma ossificação, chamada osteófitos, resultante de uma reação do osso a uma degeneração do disco. Recebeu esse nome porque, pois, ao raio-X, a imagem aparece com a forma de um bico de papagaio. E, dependendo do seu tamanho, assemelha-se a um bico de tucano. Na grande maioria dos casos, é um achado casual do raio-X, não apresentando sintomas. Não existe qualquer relação entre tamanho e número de bicos de papagaio com a idade do paciente e sintomas. Dependendo de sua localização anatômica, pode apresentar dor, como quando aparece no forame vertebral, irritando o nervo. O forame é o túnel que liga o estojo ósseo que contém a medula espinhal à parte externa da coluna.


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